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Do Baú de Diamantina: O Entrudo

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No período colonial, desde seus primórdios, Diamantina já se alegrava com as manifestações carnavalescas praticadas pelas famílias e escravos. Muito conhecido na época como Entrudo, costume trazido da Europa, onde as brincadeiras carnavalescas além de acontecer nas ruas, eram acompanhadas de bonecos gigantes de madeira e tecido, que faziam parte delas.

Introduzido no Brasil pelos portugueses, o Entrudo foi definido como uma série de brincadeiras e jogos populares, celebração que antecedia o início da quaresma.

De acordo com documentos, o Entrudo em Diamantina ocorria através de brincadeiras ocasionais nas ruas e vielas onde aconteciam desde alguns embates entre homens e mulheres, atirando-se baldes d’águas, área, restos de alimentos e frutas, até esguichos com seringas de bambu ou folha de Flandres; até mesmo meninos, saiam às ruas badernando em todos os logradouros, não perdoando os chafarizes da Câmara, da Cavalhada Nova e do Largo do Rosário. Das ruas para as sacadas, combates de limões entre moças e rapazes. Era comum as invasões nas casas, para molhar os moradores, que se defendiam com baldes d’água, ou até mesmo se trancavam nos quartos fugindo da baderna desenfreada.

Apesar de tanta algazarra desorganizada, não haviam grandes conflitos e desentendimentos, pois isso era considerado uma brincadeira.

Em meados do século XIX, autoridades iniciaram um processo de intervenção para acabar com esta celebração popular, pois a consideravam grosseira e violenta.

Em Diamantina, o Entrudo foi extinto definitivamente em 1910, ano em que ocorrera sua última manifestação, dando origem em 1911 a uma nova modalidade de carnaval, segundo o Jornal de época – A Idea Nova de 29 de Janeiro de 1911 – que relata “todo o comercio de Diamantina pode abraçar com entusiasmo um melhoramento tão importante nos nossos costumes, como seja a substituição do perigoso Entrudo de agua pelo moderno e civilizado Carnaval de confetes, serpentinas, lança-perfumes e etc….”

Desta forma, surgiram na cidade, os cordões e ranchos, as festas de salão, os blocos, afoxés, frevos e maracatus, bonecos de madeira e tecido que também passaram a fazer parte da tradição cultural carnavalesca do nosso país. Marchinhas, sambas e outros gêneros musicais também foram incorporados à esta manifestação cultural na forma brasileira, as quais podemos presenciar nos dias de hoje.

Embora não se ouça mais falar em Entrudo, em muitas regiões do Brasil ainda são comuns, na época do Carnaval, as guerras de água e frutas podres, principalmente entre crianças e jovens – conhecidos em alguns lugares de “bate-bola”.

 

Por Jean Felipe Souza

Fonte: Acervo Biblioteca Antônio Torres