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Do baú de Diamantina: O requintado carnaval de símbolos

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A partir de 1911, teve início em Diamantina uma nova modalidade de carnaval, o carnaval de símbolos. De acordo com documentos de época, havia desagrado por parte da população diamantinense sobre o carnaval praticado naquela época, o famoso entrudo, que já estava com seus dias contatos, por ter sido considerado um “feio crime de lesa-polidez”.

Temos relatos do famoso baile de máscaras que ocorria no Teatro de Santa Izabel, situado no largo Dr. Prado, a reunião de onde os “máscaras”, grupos de pessoas mascaradas, que pouco depois das 4 da tarde saiam percorrendo as ruas principais da cidade, em alas, conduzindo em elegantes e simbólicos andores enfeitados com imagens pagãs formando um longo cortejo carnavalesco.

As máscaras, principais e mais tradicionais símbolos do carnaval, as quais os nobres usavam para manter o anonimato e aproveitar a festa junto ao povo, tradição esta que chegou ao Brasil desde a época do Brasil colônia e é mantida até os dias de hoje.

Interessante foi a introdução do uso dos andores na festa carnavalesca diamantinense, estes também conhecidos como “charola”; era uma estrutura de madeira em forma de padiola portátil e ornamentada.

Segundo documentos do início do século XX, os andores, que foram introduzidos no carnaval diamantinense, traziam alegorias, fazendo referência a deuses gregos como, Baccho, “o filho de Jupiter e de Semele, o prazenteiro senhor dos ébrios, como reza a ciência dos mitos, era aqui o mais bem representado, o deus do vinho”.

Haviam sempre passeatas, e Baccho, num pequeno andor, era carregado por quatro indivíduos possantes, vinha coroado de folhas de parreira, sentado em um tonel, trazendo em uma das mãos um copo e na outra um bastão, de forma que abria-se o prestigioso carnaval da cidade, que partia do largo do Rosário, juntamente com o cortejo dos mascarados.

Diversos deuses e deusas gregos, cada um com suas particularidades, eram representados pelos vários blocos em Diamantina, era de se encantar com as alegorias e formas criativas que cada bloco encontrava para representar seu deus. E claro, não poderia faltar o Rei Momo, considerado na mitologia, o rei da zombaria, símbolo do carnaval, não apenas diamantinense, mas brasileiro, quiçá o mais animado dentre todos.

Da festa, que tinha início à tarde e se estendia pelas ruas da cidade, culminando no teatro Santa Isabel, onde acontecia o melhor e mais deleitoso dos bailes públicos; num misto de maxixe, samba e marchinhas até a madrugada, senhoras, senhores e jovens de todas as idades aproveitavam a festa de três dias de duração.

Por Jean Felipe Souza

Fonte: Acervo Biblioteca Antônio Torres